
Falta menos de uma semana. Isso me faz feliz por dois motivos: o primeiro, e não mais importante, é que acaba a maratona de cobertura lá na rádio/agência. Até torci para que em todo o estado os prefeitáveis definissem suas vitórias em apenas um turno. Pois bem, além da capital, Campos (depois de toda aquela confusão) e Petrópolis terão um segundo pleito, mais um dia de ir às urnas para depositarmos votos e esperanças (ou desesperanças). Aliás, desde pequena nunca entendi muito bem como um direito poderia ser obrigatório. Pra mim obrigação sempre - ou quase sempre - foi motivo de coisa chata, que se pudesse ninguém faria... enfim isso é assunto pra outro post.
Dessa forma, no próximo fim de semana vou acompanhar o desenrolar do caso petropolitano, que também guarda suas mazelas, inclusive com candidato se tornando inelegível às vésperas da eleição e conseguindo reconquistar o direito ainda mais às vésperas. Acusações verdadeiras ou não, a história parece no mínimo pitoresca.
Embora esteja triste porque não vou poder contribuir para a escolha do novo prefeito do Rio (cresci um pouco e já não acho a obrigação tão ruim assim), o segundo motivo pelo qual me alegro é o fato de não mais ter que ouvir os argumentos “arrumadinhos” e calculados de Eduardo Paes. Confesso que há alguns anos até lhe dei algum crédito. Moradora do mesmo bairro que ele, lembro-me de vê-lo ainda com cara de – mais - moleque distribuindo santinhos nas festas juninas do Novo Leblon. Achei legal e fiquei acompanhando um pouco sua trajetória na política. Mas foi difícil. Primeiro porque PFL (sim, PFL, não adianta mudar de nome pra enganar trouxa. DEM é PFL) não dá para engolir. Depois, o difícil foi acompanhar o seu paradeiro. Pulando de galho em galho (tudo bem isso não é incomum na política brasileira, em que poucos têm alguma mínima fidelidade a qualquer ideal partidário), trocando de “ideologia” sem qualquer pudor, defendendo quem outrora atacara veementemente.
A atual campanha foi a gota d´água. Já me assustei quando vi em sua campanha na TV gente – jornalistas – que trabalham na equipe de mídia do Cabral. Pensei: “tá mesmo colado no governador”. Depois, todos os seus discursos me soavam um pouco estudados demais. Nada de errado em “estudar” o que se quer dizer, o problema é quando essa dedicação se limita à forma em detrimento do conteúdo e do significado real que ela carrega. Implicância? Talvez. Mas os fatos que se seguiram não deixaram dúvida: que pessoa é essa que às vésperas das eleições, ao perceber que as pesquisas já não lhe são tão favoráveis, resolve entregar uma carta de socorro ao presidente, clamando por seu apoio – ainda que não muito verdadeiro – e não encara ou assume todas as críticas vorazes que fez contra Lula e sua família? Que pessoa é essa que estuda os "deslizes" de seu adversário para recheá-los de uma maldade que definitivamente não encontra correspondência no alvo que ele tanto deseja atingir? Que pessoa é essa que continua, incansavelmente e repetitivamente, dizendo que Gabeira disse e fez e afirmou e é etc. coisas que qualquer analista político de esquina perceberia que são acusações que “não vão colar”. Para atacar um opositor é preciso ter talento: criar uma farsa muito bem feita, capaz, de fato, de enganar a população ou utilizar atributos e características reais verdadeiramente criticáveis. Inventar histórias mal contadas (Gabeira e Cesar Maia são aliados, Gabeira é garoto da zona sul e turista na cidade etc. etc.) e repeti-las até cansar os ouvidos do eleitor não lhe trará votos. E parece que ele já está percebendo isso. Se não, torço para que saiba daqui a pouco mais de uma semana.
Qualquer que seja o resultado estarei por cima de tudo isso. No alto da Serra, em Petrópolis. Duro vai ser ter que voltar, sem folga, à realidade no dia seguinte. Tomara que a próxima segunda-feira seja "dia de verde".

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