
Há alguns dias fomos surpreendidos por uma triste notícia. “A Dalice morreu”, disse meu pai ao telefone. Havia pouco mais de uma semana, ele e minha mãe se revezavam no hospital em que ela estava internada para dar-lhe apoio.
Um câncer corroeu parte de seus órgãos e causou-lhe a morte. Rápida e definitiva.
Dalice não era nada nossa, mas era como se fosse. Nos tratava e era tratada com muito carinho. Trabalhava na casa dos meus avós desde antes de eu nascer e nos últimos anos virou quase uma filha para a minha mãe, que lhe “adotou” como todo o amor. Me viu crescer, entrar para a faculdade, namorar, casar e ter minha filha. E foi ela, a Duda, último membro da família que conheceu a Dalice, que me fez refletir.
Aos três anos, a – tão temida – morte não lhe causou espanto. Como a “bisa” dela morreu um mês após seu nascimento, sempre falamos muito no assunto, explicando que morrer significa ir morar com Papai do Céu, que preparou um lugar muito gostoso e feliz para todos os seus filhos.
Dessa forma, quando nos entristecemos no canto de sombra da sala de estar, ao receber a notícia, Duda perguntou o porquê das lágrimas. Eu, tola, comecei a explicar que nunca mais veríamos a tia Dadá; que ela não voltaria mais. Cheia de explicações, concluí: a tia Dada morreu.
Com a simplicidade da qual nos fala a Bíblia sobre o coração de uma criança, a minha respondeu:
“Eu sei, ela foi morar com Papai do Céu. Agora, vamos para casa”.
Emocionada, obedeci, afinal, era o primeiro dia de férias da Duda e ela me esperava, ansiosa, chegar do trabalho para brincar no parquinho.
Orei, então, para que Deus me ajudasse a entender e a fazer entender de forma tão simples e linda que a morte não precisa ser somente dor e separação, mas um momento também de alegria no céu. Graças ao sacrifício de Cristo na cruz, somos alcançados por seu amor e temos a esperança de uma nova vida ao lado dEle.
Quando for a minha vez, também quero que digam:
“Ela morreu. Foi morar com Papai do Céu. Para sempre”.

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