Hoje é sexta-feira, mas eu acordei triste. Primeiro porque minha voz continua ruim – hoje particularmente pior – e domingo preciso estar com ela “aceitável” para cobrir as eleições. Mas o segundo motivo que me tira o sorriso dos lábios nessa tão esperada véspera de fim de semana é abrir o jornal logo cedo e ver que as mentiras e as alianças inacreditáveis continuam tomando conta da campanha de Paes e sua turma.
O Globo de hoje traz a notícia de que Jandira (PC do B) – quem diria – e Dornelles (PP – socorro!!! ) dividiram o palanque da campanha do candidato do... AGORA PMDBista. Ok, os menos sensíveis dirão: mas todo mundo faz alianças para ganhar voto, se não é impossível vencer nas urnas. Mais ou menos convincente. O maior problema mesmo é que essa mesma turma critica Gabeira por fazer algo que eles julgam semelhante: Gabeira aceitar o apoio de Cesar Maia, o que eu acredito ter sido apenas de olho nos seus eleitores.
A diferença é que todo mundo sabe que ideologicamente Gabeira não compartilha das mesmas diretrizes de Maia; historicamente, Gabeira não empilha as mesmas experiências que o prefeito; e não se comprometeu a dar-lhe cargos em sua gestão. Ou seja: “se quiser me apoiar, beleza, afinal preciso reunir mais eleitores para ganhar o segundo turno”, deve ter dito. E Cesar, que não poderia apoiar Paes graças às suas desavenças com seu padrinho Cabral e diante dos inúmeros ataques que sofreu do próprio “Duda”, manifestou-se a favor de seu adversário (o que ele provavelmente faria qualquer que fosse o opositor).
Neste ponto vale ressaltar dois fatos: chutar cachorro morto é fácil, ou seja, Paes não se torna nenhum mártir por atacar Cesar Maia a esta altura. Isso, qualquer um de nós faz enquanto toma café no bar da esquina. O seu berço político, exatamente ao lado de Maia, é o que ele renega diariamente. Virou-se com mais vigor contra o prefeito quando se associou a Cabral. Traidor? Entenda como quiser.
Outro ponto que não posso deixar passar aqui é que essa aliança com Cabral começou logo que o governador lhe derrotou nas eleições para o cargo. À época, sua ladainha era a mesma: acusava Cabral de ser o “candidato da continuidade”, que ele, por ser do mesmo partido de Garotinho, manteria o mesmo sistema de liderança do então governador. Ou seja, parece mesmo que ele acredita na fórmula de se apresentar como o candidato da mudança. O que de um certo modo ele não deixa de ser: mudança de lado, mudança de ideologia, mudança de cara, mudança de alianças, mudança de discurso. Enfim, depois de muito criticar Cabral, percebeu que ganharia mais se ao seu lado permanecesse, afinal tenho que dar a mão à palmatória: ele –Cabral – é bom. Tem uma excelente capacidade de articulação, boa visão política, bom discurso, sabe falar com a imprensa como ninguém, merece aplausos. E Paes percebeu que dali a alguns anos poderia faturar mais sendo seu aliado e pegando carona na competência do novo governador. O resultado aí está.
Já que gostei mais de falar do governador do que do postulante à prefeitura, dedico, então, algumas linhas a comentar outra notícia que o jornal traz hoje sobre seu discurso ontem. Diz a manchete “Cabral inaugura UPA com ataques a Gabeira”. Bem, o fato é que durante o evento o governador tentou atrair mais votos a seu candidato. Uso da máquina do estado? Quem vai dizer... Enfim, usou o momento para criticar Gabeira, atribuindo-lhe a responsabilidade por tentar “impedir que a população tenha atendimento de saúde de qualidade”. Como eles vêm fazendo de modo mais enfático nesse segundo turno, Cabral também tenta “colar” acusações inverídicas em Gabeira. Como pode, governador??? Gabeira não teve nada a ver com isso. Quem entendeu essa iniciativa como “eleitoreira” foi o Tribunal Regional Eleitoral, que proibiu a inauguração de novas UPAs até domingo. Assim é jogo baixo, tentar enganar a população dizendo que Gabeira fez algo que definitivamente não fez. Coisa feia...
Bem, fico por aqui, indignada com essa campanha cheia de ataques inverídicos. Termino esse post reforçando um trecho que publiquei anteriormente. Para atacar o adversário é preciso ter competência: inventar uma mentira que pareça verdade e que ninguém descubra tão facilmente que se trata de uma fraude ou criticá-lo por características ou ações verdadeiramente criticáveis. Inventar coisa que todo mundo sabe que não é real pega mal. Muito mal.
Só para terminar, agora de fato: hoje tem debate, às 22h, na Globo. Assistirei comendo alface com suco de limão.